18/09/2016
sobre Diário e Família

arvore-sem-raiz

Já fazia um bom tempo que ela não aparecia por aqui.

A sua segurança me impressionou um tanto que cheguei a pensar que aquela menina falante e espontânea tivesse ido embora e nem se despedido.

Parecia um milagre quando o telefone tocou e escutei sua voz.

Tão mudada: de menina insegura pra moça ajuizada e madura.

Parecia que havia feito uma viagem longa e sem tempo para dar telefonemas ou mandar cartões postais.

Ao telefone, ela me disse com uma voz meio angustiada, como quem anda chateada por algo que nem ela mesma sabe porque:

“Vó, tirei a maior nota de Biologia, tô muito satisfeita, mas…”, aquela frase me soou estranho.

Eu conheço aquela menina como a palma da minha mão, todas as vezes em que ela se sai bem nas provas costuma me ligar tão alegre e satisfeita!

Por que dessa vez teria sido diferente?

Talvez ela esteja satisfeita, acredito que sim, mas algo que em seu coração está guardado e com medo de ser colocado pra fora faça-a ficar assim.

Mas toda vida ela foi muito reservada e, mesmo com toda liberdade que sempre lhe dei para que contasse as coisas, ela sempre preferiu guardar segredo.

Então, resolvi chamá-la pra vir até minha casa já que andou tão sumida daqui por esses tempos.

“Por que você sumiu da casa da vovó?”, foi a primeira pergunta que fiz quando ela chegou aqui.

“Ah, vó… tenho andado tão ocupada no colégio e meio sem tempo para visitas”.

Pela sua expressão logo vi que era uma desculpa e imaginei do que se tratava.

“… e os namorados? Como estão?”. Ela soltou uma risada sem jeito pois sempre foi muito tímida para esses assuntos.

Mas eu gostaria de saber o que anda magoando aquele coração tão frágil e sensível que ela tem.

Devem ser os “namoradinhos”, imaginei.

Na minha época não tinha dessas coisas, mas hoje em dia vejo que existem moços que não sabem dar valor nas meninas que têm.

As coisas mudaram muito, eu sei.

Não que seja culpa deles, mas culpa desse mundo cruel de hoje que muda a cabeça dos jovens de uma forma que chega a me assustar.

Entendi que não deveria insistir em uma resposta e como uma boa educadora, capaz de entender por um simples desenho o que se passa na coração dos meus alunos, podendo conhecer até mesmo o segredo mais profundo de todos, pedi que desenhasse uma árvore qualquer.

Arrumei-lhe papel e caneta.

Confesso que mesmo com anos de experiência fazendo esse mesmo teste com os alunos no primeiro dia de aula, fiquei maravilhada com o resultado.

Era um coqueiro!

Muito bem desenhado e cheio de detalhes; não era tão surpreendente assim aquela revelação de perfeccionismo tremendo porque conheço melhor que ninguém seus antecedentes artísticos.

Dons de família.

Seu tronco fazia uma curva perfeita e, lá na ponta, suas folhas tombadas para a esquerda, causando impressão que batia um forte vento.

Mas o que sustentava aquela árvore?

Ela não tinha raízes nem aqueles cachos de flores que caem de tão carregados!

Contrariando as leia naturais, ali estavam representados em formas perfeitas de círculo, coloridos à caneta, os cocos.

Era algo sem sentido, não fazia jus à realidade da vida já que aquela planta não tinha ligação alguma com o chão, de onde deveriam vir seus nutrientes.

Os frutos nasciam antes das flores, que nem sequer existiam no desenho, que por sua vez, eram sustentadas por uma falsa fonte de vida que era aquele tronco sem raiz.

Relacionando o desenho com a possível causa de seu desânimo, cheguei a conclusão e disse:

 

“Tatau, você deve fixar raízes em tudo aquilo que achar importante na vida e que realmente tiver um valor pra você e te fizer crescer como pessoa, ser humano. Quanto aos frutos, você deve plantar em primeiro lugar as sementes, cultivar com muito carinho e cuidado aquela planta porque se assim for, ela dará flores e como consequência, frutos. Tenha paciência, essas coisas demoram. E se achar que o fruto será bom, aproveite!”.

 

Concluindo o assunto, como quem tivesse muita vivência e com tamanha seriedade, ela disse: “É, vó… você tem toda razão. Vou cuidar melhor disso”.

Fiquei satisfeita com sua reação e orgulhosa por ter podido ver o quanto aquela menina havia amadurecido de uns tempos pra cá.

Beijinhos,
Maria Cláudia Senna
06/09/2016
sobre Arquitetura e Projetos e SOS Santa Casa

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Oi, pessoas!

Tudo bem com vocês?

Já falei aqui sobre a nossa campanha liiiiiinda do SOS Santa Casa e aqui mostrei também o projeto de reforma da cozinha da Santa Casa.

Mais ou menos no começo de agosto fomos informadas sobre o edital da premiação pelo IAB-MG e o resultado foi tão lindo quanto a onda do bem que o SOS promoveu na região e o trabalho das 12 meninas para fazer tudo acontecer!

Vejam esse vídeo que o Daniel Teixeira, da DIOX Filmes, fez especialmente para a premiação e sintam essa energia maravilhosa que foi o show do Padre Fábio de Melo para o SOS Santa Casa!

Vamos lembrar?

Acreditem, tenho muito orgulho de ter feito parte disso…

Ninguém pode dizer que foi fácil, mas valeu cada gotinha do nosso suor!

E começou assim: a DOAÇÃO DO PROJETO DE REFORMA da cozinha da Santa Casa recebendo as indicações de vocês para o prêmio.

Vocês se lembram, né?

E nós conseguimos, ele foi escolhido pela comissão julgadora do IAB-MG, olha que lindo!

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Mas mais importante e justo ainda: por não ser uma “obra construída” ainda, o prêmio se estendeu à campanha do SOS Santa Casa, sem a qual jamais haveria o DOAÇÃO DO PROJETO DE REFORMA ou as indicações de vocês, menos ainda a possibilidade de ganhar um prêmio tão importante e inspirador como o GENTILEZA URBANA!

O mais importante de tudo isso é, sem a mínima dúvida, tudo o que havia por trás do DOAÇÃO DO PROJETO DE REFORMA, da estrutura que tanto essas 12 mulheres quanto outras quase 80.000 pessoas souberam construir e gerar.

A campanha que começou pequenininha e virou essa coisa gigante de inspiração, motivação e exemplo para que mais e mais pessoas doassem também seu tempo e a sua vontade de transformação.

Naquele palco deveriam estar essas 12 mulheres: a Selminha, Madalena, Eliana, Maria Cláudia, Cristiane, Jaqueline, Goretti, Ana Cristina, Lorene, Giuliana, Marília, D. Lurdinha e mais 80.000 pessoas que acreditaram no SOS Santa Casa, contribuíram para a nossa campanha, doaram seu tempo e fizeram possível a nossa participação na premiação!

Nossa eterna gratidão!

VOCÊS, SÓ PRA VARIAR, BRILHARAM MUITO!

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Museu de Arte da Pampulha

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Museu de Arte da Pampulha – Premiação GENTILEZA URBANA 2016

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Lagoa da Pampulha ao fundo, tão linda!

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Luciana Rocha Feres, arquiteta e diretora do Conjunto Moderno da Pampulha e Maria Cláudia Senna recebendo o prêmio!

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Na foto, a mesa da premiação: comissão julgadora do prêmio, representante do prefeito de BH, vice-presidente IAB-BR, representantes da Rádio Inconfidência, presidente nacional do CAU-BR Haroldo Pinheiro, Rose Guedes (presidente IAB-MG), secretário geral do IAB-MG Julio de Marco.

Beijinhos,
Maria Cláudia Senna
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