24/06/2016
sobre Comportamento e Diário

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Albert Einstein era um famoso e assumido bagunceiro.

O cientista ganhador do Prêmio Nobel fez piada sobre a desordem do seu espaço de trabalho: “se uma mesa bagunçada é sinal de uma mente desordenada, uma mesa vazia é sinal de que?”.

Se uma das maiores mentes do mundo endossou a desordem como sinal de grandeza, a ciência teria peito para dizer que não?

E pelo que se pode perceber, não mesmo.

Uma série de estudos sugere que pessoas com quartos, escritórios e mesas bagunçadas tendem a ser mais criativas, inteligentes e originais.

Concordo plenamente que uma abordagem exigente, rigorosa e detalhada no âmbito dos negócios é sempre louvável, afinal, eu aqui amo um corte organizacional ou uma faxina semanal de maus hábitos.

Mas abraçando uma abordagem um pouco mais profunda, a essência da vida não é sobre uma organização metódica, antes fosse, pois nos pouparia de inúmeros contratempos; trata-se de 90% de empatia e cabeça aberta.

Escancarar o espírito para o novo!

Em um mundo onde a limpeza está relacionada à piedade, ser puro é muitas vezes comparado a ser moral, a ser justo, enquanto desordem é o equivalente a preguiça e coisa pior.

Ser bagunceiro é considerado uma falha moral, uma característica da preguiça, uma falha grave de caráter, um comportamento humano por um fio do fim.

Ao contrário da crença popular, estudos dizem que a bagunça não é necessariamente um sinal de desorganização mental e que ela também não quer dizer impedimento à produtividade.

Algumas das pessoas mais criativas e prolíficas são maluquinhos inveterados.

Descartando a ideia de que um espaço de trabalho caótico é resultado de uma aversão à limpeza, podemos examinar sua utilização prática no local de trabalho.

Será que certo grau de bagunça poderia agregar valor?

Li em algum lugar certa vez, salvo engano foi em 2013, que espaços desordenados conduziam as pessoas à criatividade e inovação.

Mas por outro lado, essas pessoas se obrigavam a manter limpos e organizados seus ambientes de trabalho (ou familiar) para se manterem dentro de padrões sociais, o que lhes trazia certa segurança.

Dizem que autores famosos como J.K. Rowling, Mark Twain e Roald Dahl prosperaram em espaços de trabalho criativos, repletos de papeis, notas, pilhas de lixo e pontos aleatórios de inspiração.

As mesmas mesas bagunçadas dos escritores pode revelar uma metodologia eficaz para a solução criativa de problemas.

Nesse sentido, a confusão torna-se uma manifestação física de uma vontade de desafiar as convenções e descartar padrões sociais.

Desde pequenos somos ensinados a nos sentirmos mal sobre nós mesmos por sermos assim, desorganizados ou descuidados e somos acostumados a ser criticados por isso.

No processo, segundo estudos, os benefícios ocultos dessas qualidades são negligenciados.

É preciso ter coragem para abraçar esse transtorno, uma vez que muitas vezes isso requer engolir críticas constantes e ir contra a maré.

As chances de você, bagunceiro, abraçar o inferno durante sua vida pessoal ou profissional é gigante, eu sei disso!

Às vezes é mais que necessário esse espaço de trabalho desordenado, longe de regras, para que as ideias flutuem no mesmo ritmo que a bagunça.

Meu espaço de escrita é constantemente pipocando de referências, vários computadores ligados, câmeras e, provavelmente, de três a cinco xícaras de café a qualquer hora do dia.

Isso me ajuda a pensar.

Ambientes bagunçados parecem inspirar, libertar de amarras, e isso pode produzir novos insights.

Não dá nem para contar quantos artistas e criativos que eu conheço pessoalmente me prescreveram sempre o mesmo remédio: liberdade de organização, de pensamentos, faça sua bagunça!

Outra teoria a respeito de porque os criativos prosperam em um ambiente caótico é a habilidade inata de sintonizar as distrações.

Em outras palavras, a desordem não interrompe seu fluxo de trabalho porque seu cérebro tenta filtrá-la de qualquer jeito.

Pessoas desse tipo nem se preocupam ou até mesmo desconhecem o aparente caos.

Assim como pessoas com limiar para a dor muito alto podem nem notar uma dorzinha, pessoas bagunceiras podem simplesmente nem sentir-se incomodadas com aquilo.

Os beneficios escondidos da bagunça, dizem alguns, é a hipótese de que ela tem a capacidade de destacar prioridades.

Uma mesa bagunçada pode ser um sistema de priorização e acesso a ideias altamente eficaz, onde o trabalho importante, urgente, tende a permanecer por perto e perto do topo da desordem.

Enquanto isso, o material de menos prioridade costuma ficar enterrado no fundo ou próximo dele, e isso faz todo sentido.

Afinal de contas, meus caríssimos leitores, a desordem é a lei natural do universo, né?

Talvez as pessoas confusas sejam o salmão solitário que não nada contra a corrente, ele segue o fluxo.

A verdade é essa: em um novo princípio cósmico, radical e um tanto quanto deprimente, dizem que o universo sempre se move da ordem para a desordem.

Então, enquanto você é capaz de reduzir o caos de um pequeno lugar, tal qual a sua mesa de trabalho, por exemplo, o enorme trabalho que você fez cria ainda mais confusão para o resto do universo.

Isso é uma lei da física.

A dura verdade é que o próprio universo está contra os nossos esforços a longo prazo para trazer ordem para o caos das nossas vidas.

Tudo porque o universo ama o caos!

As pessoas bagunceiras são inegavelmente adaptáveis, suas capacidades naturais de se concentrarem na tarefa, de não se perderem no detalhe do ambiente desorganizado, significa uma grande competência para a resolução de problemas.

Fazer ordem no caos, prosperar entre um cosmo desordenado, é sinônimo de se transformar em alguém mais apto ao sucesso.

Se a mudança é a única constante na vida, podemos muito bem adotá-la.

 

Beijinhos,
Maria Cláudia Senna